As condições do Plano Safra 2025/2026, com elevação dos juros do crédito rural, acenderam alerta entre produtores e representantes do agronegócio. O ponto central é que o crédito mais caro chega num momento em que a Selic permanece em patamar elevado e o país atravessa uma transição fiscal e regulatória, o que aumenta o peso do custo financeiro na operação.
Segundo Luiz Felipe Baggio (Evoinc), o problema vai além do “juro do financiamento”, porque grande parte do agro opera alavancado, dependendo de capital de terceiros para custeio e investimento. Com juros reais altos, mesmo linhas com condições melhores que a média ainda podem ficar pesadas, apertando fluxo de caixa e tornando a safra mais sensível a qualquer oscilação de preço ou clima.
O texto também aponta que a combinação de crédito mais caro com mudanças estruturais — como transição tributária e ajustes em regras de pagamento/recebimento — pode exigir revisão de contratos, prazos e engenharia financeira. É o tipo de cenário em que erro de planejamento vira custo direto, e custo vira perda de competitividade (o velho “Custo Brasil” batendo na porteira).
Baggio resume o risco em uma frase: “o risco de descapitalização é real”, e a sobrevivência de muitos produtores passa por eficiência, gestão e capacidade de reduzir dependência do “custo do dinheiro”. Em termos práticos, 2026 tende a premiar quem tem governança, controle de caixa e estratégia de comercialização — e punir quem entra na safra sem colchão financeiro.

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