A Revista Oeste aponta que um “novo modelo” de pirâmide alimentar nos Estados Unidos sinaliza mudança no comportamento global ao tentar reduzir o consumo de ultraprocessados, o que pode influenciar o agronegócio brasileiro. A leitura é que a valorização de proteínas animais e vegetais pode melhorar previsibilidade e rentabilidade para produtores conectados a mercados exigentes.
O movimento ganhou corpo com a divulgação das Diretrizes Alimentares dos EUA 2025–2030, anunciadas em janeiro de 2026, que colocam “real food” no centro e recomendam priorizar proteína, reduzir carboidratos refinados e limitar alimentos altamente processados, além de olhar com mais atenção para açúcar adicionado.
Para o Brasil, isso pode mexer com demanda e narrativa de exportação: proteínas (carne, ovos, pescado), lácteos, frutas, vegetais e itens de maior densidade nutricional tendem a ganhar espaço em prateleiras e compras públicas/privadas conforme a diretriz se traduz em políticas, marketing e rótulos. Ao mesmo tempo, a pressão sobre ultraprocessados e certos ingredientes pode crescer — e o debate já chegou ao regulador, com discussões sobre regras ligadas a ingredientes processados e classificações de segurança nos EUA.
O produtor e a indústria que querem capturar essa onda precisam pensar em padrão internacional: rastreabilidade, qualidade, regularidade de oferta e comunicação alinhada a saúde e “comida de verdade”. Em outras palavras: é oportunidade, mas também filtro. Quem se antecipa pode vender mais e melhor; quem fica parado pode perder espaço para concorrentes que entregam consistência e padrão.
O que as diretrizes 2025–2030 destacam (em resumo)
Mais proteína nas refeições
Redução de refinados e ultraprocessados
Atenção a açúcar adicionado
Preferência por alimentos integrais/in natura
Possíveis efeitos no agro brasileiro
Maior tração para proteínas e alimentos “de verdade”
Pressão reputacional/regulatória sobre ultraprocessados
Exigência maior de padrão e rastreabilidade em exportação
Janela para valor agregado (qualidade, certificação, marca)