Um levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM) indica que 73 prefeitos do Pará relataram crise financeira e falta de recursos como a maior dificuldade do último mandato, em um cenário em que a própria CNM aponta que 71,2% dos municípios brasileiros enfrentaram o mesmo problema. No recorte estadual, o peso é ainda maior: os 73 gestores representam 82,95% dos prefeitos paraenses ouvidos na pesquisa, que entrevistou 88 dos 144 municípios do Estado.

O estudo também mediu o humor dos reeleitos sobre o próximo ciclo fiscal e mostrou um quadro dividido: no Brasil, a confiança sobre as finanças municipais do ano seguinte aparece praticamente empatada entre otimistas e menos otimistas. No Pará, entre reeleitos ouvidos, os números evidenciam baixa segurança e muita ausência de resposta, o que reforça a percepção de incerteza e fragilidade do caixa municipal.

Nos bastidores, a explicação se repete: arrecadação própria fraca e dependência de repasses. Um dos pontos citados na reportagem é a dificuldade de muitos municípios em ampliar receitas de forma estruturada, por exemplo com regularização fundiária e melhoria de rotinas fiscais que sustentem tributos como IPTU e ISS — o que acaba empurrando prefeituras para uma dependência crônica de transferências e limita a capacidade de investimento.

A pesquisa ainda lista outros fatores que pressionaram as gestões, como saúde, reajustes salariais pós-pandemia, instabilidade política e econômica, além de temas como censo/estimativas populacionais e eventos climáticos. O retrato reforça uma mensagem central para 2026: sem disciplina fiscal, eficiência administrativa e responsabilidade na execução, a crise volta como regra — e o município paga a conta primeiro.

O que foi a pesquisa da CNM
A CNM realizou levantamento nacional com milhares de prefeituras sobre situação fiscal e dificuldades da gestão municipal, incluindo recorte sobre finanças e desafios enfrentados no mandato.

Por que a arrecadação própria é decisiva
Quando IPTU/ISS e regularização administrativa são fracos, o município fica dependente de repasses. Isso reduz autonomia, trava investimentos e aumenta risco de crise em anos de pressão.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *